jueves, 24 de septiembre de 2020

"Borborema colorida" Pinturas de Laís Correia


Nombre de la Obra:  Óleo sobre infância
Técnica: Óleo sobre papel
Medidas: 40*30cm
Año de creación: 2020



Nombre de la Obra: Cariri em flor
Técnica: Óleo sobre papel
Medidas: 20*30cm
Año de creación: 2020



Nombre de la Obra:  Jesus Armorial
Técnica: Óleo sobre tela
Medidas: 30*40cm
Año de creación: 2017



Nombre de la Obra: Moinhos
Técnica: Óleo sobre tela
Medidas: 30x20 cm
Año de creación: 2020



Nombre de la Obra: Persona
Técnica: Óleo sobre papel
Medidas: 20*30cm
Año de creación: 2020



Nombre de la Obra:  Borborema colorida
Técnica: Óleo sobre tela
Medidas: 20*30cm
Año de creación: 2020



Nombre de la Obra: Alma
Técnica: Óleo sobre tela
Medidas: 60*50cm
Año de creación: 2017




*Laís Correia, nacida en João Pessoa - Paraíba es Licenciada en Letras Clásicas por la Universidad Federal de Paraíba. Apasionada por las artes, ha publicado cuentos y poemas en revistas y antologías literarias y, además, ha pintado lienzos y acuarelas desde la adolescencia. Su estética mezcla psicodelia y elementos del movimiento artístico armónico, influenciado por artistas como Beatriz Milhazes y Romero de Andrade Lima. Sus obras buscan traducir sentimientos y retratar elementos del noreste de Brasil.

"Ojo huracán" Poemas de Paulo Ismar Mota Florindo


Choveu
 
Caiu um aguaceiro
de entupir a alma

dos dias molhados
guardo úmida lembrança:
naveguei barcos de papel
quando criança.


Llovió
 
Caía un fuerte aguacero
como a empapar el alma

De los días lluviosos
mantengo húmedos recuerdos:
Barcos de papel navegados
despiertan mi niñez.

**

Queima!
 
Arde!
Peito carvão
Em brasa morna

Sorve!
Peito amargo
A dor que te contorna

Dissipa esta brisa cínica
Que invade alma
Que corrói peito são

Deixa teus rastros
Da luz partida ao parir
Infinitas ilusões tardias

Segue esta chama!
Que teima

Seja quem chama!
A queima!


¡Quema!
 
¡Arde!
Pecho carbón
Em tibia brasa

¡Absorbe!
Pecho amargo
El dolor a tu alrededor

Disipa esta brisa cínica
Que invade el alma
Que corroe el pecho sano

Deja tus huellas
De la luz rota a parir
Ilusiones tardías sin fin

¡Sigue este ardor!
Con fervor

¡Sé quien llama!
La flama.

**

Ojo huracán

En el ojo del huracán
Una vaca es paja
Una lanza es una espina
En el ojo del huracán
Tu mirada no es nada
Tu suspiro es una tormenta.


Olho tufão
 
No olho do furacão
Uma vaca é cisco
Uma lança é espinho
No olho do furacão
Teu olhar é nada
Teu suspiro é tempestade.


*Paulo Ismar Mota Florindo, nacido en Alegrete, RS donde aún vive. Estudió Economía, especializándose en Marketing y RRHH. Trabaja en lo que le gusta, pero escribir es una de sus pasiones. En 52 años de vida, la literatura ha estado con él recientemente. Una década de poesía, unos años de cuentos. Novela, por ahora, solo la vida.

"Mata - desenfoque" Poemas de Francisco Leandro Costa




Litania 

Como era

Da existência 
A primogênita 
Da consciência 
Filha mais nova.

Ponta do fio
Ponto de corte
Hora do homem 
Ontologia
Sala de Janus
Som do silêncio
Vai na chegada 
Vem no partir
Casa ou relento
Pena e prêmio
Medo do ser
Depuração
Rosa do nada
Flor do princípio 
Dor singular 
Inevitável
Toque de espinho 

,agora e sempre

Nas volutas da solidão 
Encontra-se o homem consigo:

Guerra, paz ou armistício?


Letanía

Como era

De existencia
El primogénito
De conciencia
Hija menor.

Punta de alambre
Punto de corte
Hora hombre
Ontología
La habitación de Janus
Sonido de silencio
Ir a la llegada
Vamos dejar
Casa o al aire libre
Pluma y premio
Miedo a ser
depurar
Se levantó de la nada
Flor temprana
Dolor singular
Inevitable
Toque de espina

,ahora y siempre

En las volutas de la soledad
El hombre está contigo:

¿Guerra, paz o armisticio?

**

Mata – borrão

Um mato de fim de era
Fechou o caminho velho
De rua não transitada
De nome já esquecido

Mata-pasto, mato grosso, mato alto
Mato rua, nome velho e memória 
Ainda apago da lembrança a história 
Do perjuro que me fez morrer à míngua 

Virou a história lenda
A lenda tornou-se mito
E o mito morto o Estado
Do “nada havia antes"

Mata-pasto, mato grosso, mato alto
Mata a rua que morria devagar
E a foice e a enxada que matou
Marmeleiro que sequer disse um ai

Parede virou tijolo
Tijolo voltou a barro
E o barro assentado solo
Do limbo que nada lembra.

Sepultei a casa velha cuja alma
Já havia desabado para o sul
Onde a alma do negócio se mantém 
Do vintém que aliena o homem nu.


Mata - desenfoque

Un arbusto del fin de la era
Cerrado a la antigua
Calle no llevada
Nombre olvidado

Asesino de pastos, arbusto espeso, arbusto alto
Mato rua, antiguo nombre y memoria
Aun borro la memoria de la historia
Del perjurio que me hizo morir de hambre

Convertida en leyenda de la historia
La leyenda se ha convertido en mito
Y el mito mató al Estado
"No había nada antes"

Asesino de pastos, arbusto espeso, arbusto alto
Mata la calle que muere lentamente
Y la guadaña y la azada que mató
Quince que ni siquiera dijo un ai

Pared torneada de ladrillo
El ladrillo volvió a la arcilla
Y la arcilla se posó en el suelo
El limbo que no recuerda nada.

Enterré la vieja casa cuya alma
Ya se había derrumbado hacia el sur
Donde queda el alma del negocio
Los celos que alejan al hombre desnudo.

**

Cacoema

Precisa alcunha me deram
Chamo-me boca do inferno
Um inclemente juiz
Sem capa, toga e terno.

Se me encontrares no espelho
Não te assalte o medo
De ver-te como a mim veem

Para a alegria de todos
Sou amarrado cachorro
Pagando pena de caco
Que a ferida me coça

Sabujo velho banido
Á Ilha do esquecido
Para a saúde da ordem.


Cacoema

Necesito apodo que me dieron
Mi nombre es boca del infierno
Un juez implacable
Sin capa, toga y traje.

Si me encuentras en el espejo
No asaltes tu miedo
Para verte como ellos me ven

Para alegría de todos
Estoy atado perro
Pagando fragmento
Que me pica la herida

Viejo sabueso prohibido
La isla olvidada
Por la salud del pedido.


Traducción: Revista Innombrable

*Francisco Leandro Costa, enfermero y escritor brasileño de Santana do Acaraú, tierra del poeta maldito José Alcides Pinto, es autor de poemas y cuentos presentes en varias revistas y antologías. Sus textos están marcados por la descripción simbólica de los dramas interiores y exteriores de sus personajes además de las historias, recuerdos y folclore de su tierra.

miércoles, 23 de septiembre de 2020

"Hutukara" Cuento de Íris Cavalcante


Os reflexos lunares alumiam o espelho de um rio. Espelho de água morta. Uma criatura não identificada agoniza em algum lugar de uma terra devastada. Lamentos rebentam a magnitude do silêncio. Eram ruínas, cadáveres, odores.

 Componentes abióticos infectados inibem qualquer possibilidade de vida. A velocidade do som confronta a da luz e as leis da Física, todas inalteráveis naquele cenário de destruição e morte.

 Mr. Thompson segue em passadas lentas, efeito bullet time, atraído pela voz. Não sabia se de humanos, aves, répteis ou qualquer outra espécie animal. Teorias, estudos científicos e toda uma tecnologia de ponta do satélite Eternity preparou-o para o que podia encontrar no planeta Terra. Em suas piores projeções, não imaginava confrontar-se com uma terra desolada, que chorava sua dor, iluminada somente pela luz mortiça da lua. Um cenário de medo.

 Sim, mas seres intergalácticos desconhecem o que é medo. Do pequeno planeta de onde vinha, ele reinava absoluto. Agora estava só, no entanto.

 Não havia árvores, nem luz, o ar — se havia — era irrespirável. Rios mortos. Partículas de meteoros, rejeitos de minérios, fragmentos de ouro e pedras preciosas, aço, ferro, metais os mais diversos, casas destruídas, taperas, palafitas, ocas, imensas crateras no solo, corpos de humanos e animais carbonizados ou desaparecidos na imensidão das águas e da floresta. Entulhados tal como pedra sobre pedra. Nem as pedras resistiram à voracidade do fogo da gente branca, a selva queimada era vista de todo o sistema solar, como um imenso cogumelo cor-de-crepúsculo.

 Da superfície terrestre, Mr. Thompson fitava o infinito, usava uma submetralhadora do tipo Al Capone, para proteger-se. Percebia-se minúsculo apesar de seus mais de dois metros de altura, o antagônico reconhecimento da pequenez de uma máquina que pouco sabia de humanos, nem de suas cores, tribos ou etnias, o que dirá sentimentos. Apenas que podiam ser úteis às pesquisas. Julgava-se uma máquina de fazer humanos, caso fosse necessário para a sobrevivência da espécie.

 Imaginou estar próximo à lua, apesar de anos-luz de distância. Reconhecia cada cratera do Mare Tranquillitatis, até arriscou que vira o tal Jorge, espada em punho. Sempre habitou um corpo celeste próximo à lua, mas tão-somente agora era capaz de compreender que um infinito espaço interestelar os separava. Nunca mais voltaria a outro lugar do sistema solar. Era somente um anônimo na Amazônia, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, reduzido ao caos.

 Pois ali era seu novo habitat e havia de encontrar uma forma de subsistência. Seu tempo era contado diferente e pelas estatísticas ainda durava alguns milhares de anos terrestres. Dali em diante, havia toda uma vastidão a ser desbravada. O cobiçado planeta azul não tinha mais habitantes, nem orbitava mais em torno do sol porque não havia sol, toda a luz vinha do satélite lunar. 

 Planos de iniciar um reinado, mas não sabia que espécie de súditos encontraria naquela terra inóspita, nem que tipo de vida ainda havia ali. Microbiana? Bacteriana? Binários? Não-binários? Havia seres vivos invisíveis a olho nu? Todas as informações capturadas pelo Eternity perderam-se no grande fogo, amostras de rocha, solo, árvores, DNA.

A voz ainda gemia numa outra extremidade da terra devastada, como se travasse um duelo vida versus morte. Mr. Thompson atravessou os gemidos até o murmúrio além deles, seus passos agora eram longos. Jamais vira humanos antes e contemplou letárgico e indiferente, o primeiro que conhecia. Por baixo da pele curtida marrom do sol ardia uma selva inteira. Rosto em tintura de urucum, braços riscados em vida vegetal, um comprido nos cabelos pretos e lisos, seios intumescidos e nus, um elevado no abdômen e o ventre ensanguentado. Uma Yanomami. Dona da terra, não um animal de caça, não uma estrangeira em seu planeta. Dentre as pernas, apontava uma miniatura, em meio a líquidos e dores lacerantes. Uma quase inaudível ternura.

 Mr. Thompson atualizou a programação de seus comandos. Ele reconheceu quem reinava naquela terra. Tudo bem que ele não emitiu reações ou sentimentos, afinal era uma máquina. Deu meia volta e seguiu em meio às ruínas, alheio à dor humana. A empatia será sempre a diferença entre alguns homens e mulheres e máquinas e árvores e bichos e homens.

 A mulher puxou para si a cria que acabara de nascer, símbolo da continuidade de uma raça. Com um objeto pontiagudo, ela rompeu o cordão umbilical que faziam mãe e filha, uma só. Os componentes abióticos passaram por um incompreensível processo de purificação, não explicável no campo das ciências, convocado pelos espíritos dos xamãs. A mãe levou a criança ao peito que vazava vida, a criança começou a sugá-la com uma fome secular. Olhos bem abertos faziam o reconhecimento do território de seus ancestrais. Agora eram em duas, sobreviventes da selva morta pelo fogo amarelo, vermelho e branco. Um Big Bang que nem Stephen Hawking foi capaz de prever, mas os xamãs alertaram a raça humana.

 Eram em duas, mãe e filha, e dali em diante, não há mais quem duvide que o futuro da humanidade é o feminino. De uma parte mulher e terra, renasce um planeta. Hutukara.

 

**

 Los reflejos lunares iluminan el espejo de un río. Espejo de agua muerta. Una criatura no identificada está muriendo en algún lugar de un páramo. Las lamentaciones rompen la magnitud del silencio. Eran ruinas, cadáveres, olores.

 Los componentes abióticos infectados inhiben cualquier posibilidad de vida. La velocidad del sonido se enfrenta a la luz y las leyes de la física, todo lo cuál no cambia en ese escenario de destrucción y muerte.

 El Sr. Thompson lo sigue a pasos lentos, efecto de tiempo de bala, atraído por la voz. No sabía si eran humanos, pájaros, reptiles o cualquier otra especie animal. Las teorías, los estudios científicos y toda la tecnología de punta del satélite Eternity lo prepararon para lo que podría encontrar en el planeta Tierra. En sus peores proyecciones, no podía imaginarse enfrentado a una tierra desolada, llorando su dolor, iluminada solo por la tenue luz de la luna. Un escenario de miedo.

 Sí, pero los seres intergalácticos no saben qué es el miedo. Desde el pequeño planeta del que vino, reinó absoluto. Sin embargo, ahora estaba solo.

 No había árboles, no había luz, el aire, si lo había, era irrespirable. Ríos muertos. Partículas de meteorito, relaves de mineral, fragmentos de oro y piedras preciosas, acero, hierro, los más diversos metales, casas destruidas, taperas, pilotes, huecos, cráteres inmensos en el suelo, cuerpos de humanos y animales carbonizados o desaparecidos en la inmensidad de las aguas. y el bosque. Relleno como piedra sobre piedra. Ni siquiera las piedras resistieron la voracidad del fuego de los blancos, la jungla quemada se veía desde todo el sistema solar, como un enorme hongo crepuscular.

 Desde la superficie de la tierra, el Sr. Thompson miró al infinito, usando una metralleta Al Capone para protegerse. Se percibía minúscula a pesar de sus más de dos metros de altura, el reconocimiento antagónico de la pequeñez de una máquina que sabía poco de los humanos, ni de sus colores, tribus o etnias, que dirán sentimientos. Solo que podrían ser útiles para la investigación. Se pensaba que era una máquina creadora de seres humanos, si era necesario para la supervivencia de la especie.

 Imaginó estar cerca de la luna, a pesar de estar a años luz de distancia. Reconoció todos los cráteres del Mare Tranquillitatis, incluso se arriesgó a haber visto a ese Jorge con la espada desenvainada. Siempre habitó un cuerpo celeste cerca de la luna, pero solo ahora pudo entender que un espacio interestelar infinito los separaba. Nunca volvería a otro lugar del sistema solar. Solo era anónimo en la Amazonía, uno de los biomas con mayor biodiversidad del planeta, reducido al caos.

 Porque este era su nuevo hábitat y tenía que encontrar una forma de subsistencia. Su tiempo se contaba de manera diferente y, según las estadísticas, todavía duró unos pocos miles de años terrestres. A partir de entonces, hubo una vasta extensión por explorar. El codiciado planeta azul no tenía más habitantes, ni orbitaba más alrededor del sol porque no había sol, toda la luz venía del satélite lunar.

 Planea comenzar un reinado, pero no sabía qué tipo de sujetos me encontraría en esa tierra inhóspita, ni qué tipo de vida quedaba allí. ¿Microbiano? ¿Bacteriano? Binarios? ¿No binario? ¿Había seres vivos invisibles a simple vista? Toda la información capturada por Eternity se perdió en el gran incendio, muestras de roca, suelo, árboles, ADN.

 La voz aún gemía en el otro extremo de la tierra devastada, como si estuviera luchando en un duelo de vida contra muerte. El Sr. Thompson pasó por los gemidos hasta que el murmullo más allá de ellos, sus pasos ahora eran largos. Nunca antes había visto humanos y parecía letárgico e indiferente, el primero que supo. Debajo de la piel morena bronceada del sol ardía toda una jungla. Rostro en tinte de achiote, brazos veteados de plantas, uno largo de pelo negro y liso, pechos hinchados y desnudos, uno levantado en el abdomen y vientre ensangrentado. Un yanomami. Dueño de la tierra, no un animal de caza, no un extranjero en su planeta. Entre las piernas, señaló una miniatura, en medio de líquidos y dolores lacerantes. Una ternura casi inaudible.

 El Sr. Thompson actualizó su línea de comandos. Reconoció quién reinaba en esa tierra. Está bien, no emitió reacciones ni sentimientos, después de todo era una máquina. Se volvió y atravesó las ruinas, ajeno al dolor humano. La empatía siempre será la diferencia entre algunos hombres y mujeres y máquinas y árboles y animales y hombres.

 La mujer sacó a su cría recién nacida, símbolo de la continuidad de una raza. Con un objeto punzante, rompió el cordón umbilical que formaba a madre e hija, una. Los componentes abióticos pasaron por un incomprensible proceso de purificación, inexplicable en el campo de las ciencias, convocados por los espíritus de los chamanes. La madre llevó al niño al pecho que goteaba, el niño comenzó a succionarlo con un hambre secular. Los ojos bien abiertos reconocieron el territorio de sus antepasados. Ahora eran dos, supervivientes de la selva asesinados por fuego amarillo, rojo y blanco. Un Big Bang que ni siquiera Stephen Hawking pudo predecir, pero los chamanes advirtieron a la raza humana.

 Eran dos, madre e hija, y desde entonces, ya no hay nadie que dude de que el futuro de la humanidad es el femenino. De una parte mujer y tierra, renace un planeta. Hutukara.

 

Traducción: Revista Innombrable

  

* Íris Cavalcante, escritora independiente, nacida en Baturité-Ceará-Brasil. Debutó en la literatura en 2003, participó en colecciones de cuentos, crónicas y poemas y publicaciones en revistas literarias. Fue finalista del Premio Jabuti 2018 en la categoría de poesía con la obra Vento do 8º andar.


"Si todos los días fueran jueves" Cuento de Raúl Trujillo Ospina


Anoche vino tu gato a perturbar mi noche, escuché su ronco maullido sobre el tejado. Tal vez huyó de tu casa porque aprendió a conocerte; o quizá, está vengando tu menosprecio y ahora viene a tratar de consolarme. Si entendiera mi lengua le diría que se marche, que ya no es mi problema, que aprenda a arreglárselas solo. Como siempre lo he hecho. De un tiempo para acá, no te apareces en mis sueños, como solía pasar. Para constatarlo, te haré saber cómo fue mi semana:

El lunes soñé que besaba a una misteriosa mujer cuyo rostro no podía ver, porque estábamos cubiertos con mantas; tal como en aquel cuadro de Magritte. El martes soñé que corría sin dirección sobre el Mar de la Tranquilidad, huyendo de un enjambre de abejas en forma de pupilas omnipresentes. El miércoles soñé que era un niño y visitaba un pueblo desconocido arrastrado por un hombre malo que pretendía abandonarme allá. El jueves pasé de largo. El viernes soñé que estaba atado a un poste y una multitud de chinos que enarbolaban banderas, pasaban a mi lado riendo. El sábado soñé que reposaba dentro de una concha de caracol que, al inundarse de agua, me expulsaba a un precipicio interminable sin un arriba ni un abajo. Ayer soñé que resolvía triquis sobre la palma de una mano gigante, tan fresca y perfumada como El Edén.

Hoy, una vez más, la misteriosa mujer a la que besaba trataba inútilmente de despojarse de la manta que la cubría. En un arranque de impaciencia, la rompí hasta casi descubrir su rostro y salir de la duda de que pudieras ser tú. El efecto de la tela descosiéndose desde su frente hasta la comisura de los labios, se confundió con el rasgueo de uñas de tu maldito gato sobre el tejado de nuevo, echando a perder ese instante decisivo para siempre. Sin embargo, siento pena por el pobre animal, porque seguramente, es incapaz de soñar para borrar malos recuerdos.


*Raúl Trujillo Ospina, Colombia. Ilustrador por formación en artes plásticas, le ha inquietado la escritura desde hace algún tiempo por necesidad de transmitir sentimientos, bien sea para aquellos que gusten leer sus creaciones o para sí mismo. Ha hecho parte de varios talleres de escritura en la ciudad de Medellín, de los cuales han salido publicaciones en las que ha participado. Ha colaborado también como ilustrador en periódicos y revistas de la facultad de comunicaciones de la Universidad de Antioquia y de la Escuela Interamericana de Bibliotecología de la misma universidad.

martes, 22 de septiembre de 2020

¿Qué es la poesía? Poemas de Clara Schoenborn



Cada poeta tiene su definición de lo que es la poesía. Esto podría llevar a concluir que en verdad nadie sabe a ciencia cierta qué significa. Tal vez, esto es lo maravilloso de ella. Ese misterio que la rodea es lo que la hace tan apasionante, tan inabarcable, única y retadora. 
En mi caso, pienso que la poesía es un trabajo creativo llevado a cabo con las palabras, cuyo objetivo es impresionar al lector en diferentes formas: en lo emotivo, lo espiritual, lo artístico, lo intelectual. He escrito “impresionar”, pero ¿eso qué significa? Según el diccionario de la RAE, impresionar significa: “fijar por medio de la persuasión, o de una manera conmovedora, en el ánimo de alguien una idea, un sentimiento, etc., o hacer que los conciba con fuerza y viveza”. 
Para mí lo importante de un poema es simplemente eso: que impresione, que produzca un pálpito, un vuelco. Sin ese asombro, no hay poesía. 




Lección de historia

Eran los años indecentes del culto a lo material.
Caminábamos por túneles de mármol contaminado, 
cloacas untadas de miel y alucinógenos. 
Teníamos un número marcado en la frente,
la cara de dios trazada con fórmulas, 
-multiplicación que ya no era de peces-,
pero sí de acciones en la bolsa de valores, 
de bonos del tesoro, de multinacionales, 
sumatorias de hombres, 
cada uno con su dólar en el saco,
restas de mujeres, 
cada una a merced de su devaluación.
La especie tendiendo a cero, 
culturas cercenadas a la enésima potencia.

Eran los años de la algarabía econométrica,
de un alma escogida al azar
para tasarla con toda precisión
y luego dividida por tres pesos.


Cuestionario

¿Por qué voté por los azules?

Una vez en el frío de su altura, 
repartieron entre ellos la paz y el alimento, 
disolvieron la sal de una mujer ciega, 
copularon entre sí, 
se frotaron ungüentos,
mientras el resto de los hombres 
sufrían con huecos en la mente 
y regaban saliva en los caminos.

¿Por qué voté por los rojos?

Destruyeron las viejas puertas de cristal, 
orinaron sin freno sobre los textos de historia, 
sumergieron espinas de pescado en el aire, 
cortaron con crueldad– solo a medias- las gargantas 
e impusieron su dogma con horrendas cirugías. 

¿Por qué voté por los que llevaban sotanas?
¿Por los que traían abierto un libro extraño?
¿Por qué voté por un saltimbanqui imberbe y coronado?
¿Por qué voté por mártires, por sabios inocuos y parlanchines?
¿Por el que leía la mente, por el que decía siempre lo correcto?
¿Por qué voté por el que asesinó en mi nombre?


Mirada

Me dijiste 
que miraste a una mujer 
que te hacía recordarme.
Eso ha de ser, 
porque el amor mira 
con sus propios ojos.

Ese amor raro que nos une,
-otros dirían que no es tal-,
embrión amorfo y bamboleante,
pero al fin de cuentas amor nuestro, 
niño nuestro, siempre a punto de nacer.

Miraste a esa mujer 
con los ojos que ahora tenemos,
ventanas que desde aquel día 
-sin saber cuándo ni cómo-
miran lo innombrable.

Ojos que hoy siguen la ruta 
de nuestros nombres 
intactos y redondos.

Por ellos, con esas nuevas retinas,
¿miramos ahora con ingenuidad de árboles?
¿con la hermosura de antiguos textos?

Por esa mirada de amor,
inventamos ahora rostros ciertos,
labios que gritan la misma palabra, 
la misma forma de imaginar un paisaje. 

Pero has de saber, 
ya que me lo cuentas,
que tú tienes más suerte que yo,
pues nunca he podido encontrar
a nadie que se te parezca.


Pincel con burbujeo
  
En el lienzo, solo en el lienzo, 
consiguió estampar su apetito, 
desnudar a esa mujer a su gusto 
sobre sábanas de lino irlandés.
 
Comenzó a pintar a las seis de la tarde, 
a la hora en que la luz recita sus poemas.

Usó pinceles nuevos 
armados con crin de unicornio,
leche tibia para mezclar con los óleos
y amoroso semen para abrillantarlos.
 
A pesar de estar loco, 
se puso una corbata,
una camisa de seda italiana,
sacó la última copa de cristal 
para la sangre de un vino español.
 
Al comenzar a plasmar colores, 
los percibía a manera de unturas, 
brebajes que hacía brotar de su sexo
mientras dibujaba a esa mujer.
 
El blanco que pintó en su piel  
jadeaba en perfecta armonía 
como una cantata de Bach.
Los pechos de un tono azuloso
olían a brisa marina 
y pintó entre sus dedos, esparcidos,
granos de azúcar, tallos de menta.

Tres días le tomó trazar sus labios, 
a besos se los despintaba, 
con la lengua retocaba el color.

De último, en el fondo del lienzo,
pintó una ventana y, a lo lejos, 
atisbando, una silueta pequeña, 
era él, en distante sincronía, 
casi extraviado en el paisaje.

Cuando el cuadro estuvo listo,
ella lo miraba directo a los ojos, 
con una colección de cálidos barnices 
extendidos entre sus piernas.
 
En la mesa de noche, 
una copa de vino 
exhaló de pronto 
vapor de sandías.
 
Desde entonces, ahí viven,
ahí él la mira, ella renace, 
aunque ahora ya no estén, 
aunque nunca llegaran a tiempo.


Lista negra

Mueren.

Como seres microscópicos sobre arena, 
a la luz del día, 
entre miedos y humos.

Dejan un corto camino de flores 
para ver si alguien reza.

Mueren, 
poco después del silencio.

A las cinco de la tarde
aparecen los buitres. 

En la distancia, 
alguien limpia un machete. 

Dos hermanos 
se dicen adiós.

Mueren. 

Como repartiendo la lluvia, 
sin sostener las banderas.

En la plaza suenan las campanas,
alguien espera un milagro.

Mientras tanto, 
ellos mueren.

Hay más semilla en la tierra,
menos simiente en el universo.


*Clara Schoenborn, Nacida en Cali en 1957, es poeta con doble nacionalidad, colombo-alemana, graduada en Economía con Diplomado en Gerencia.
Ganadora Gran Premio Ediciones Embalaje, Encuentro de Poetas Colombianas, Colombia, 2011. Finalista IV Concurso Red de Bibliotecas Públicas Cali Colombia, 2009. Finalista Premio Carmen Conde de Poesía, Ediciones Torremozas, Madrid, España, 2012. Mención de Honor Concurso de Poesía De Los Objetos, Casa de Poesía Silva, Bogotá 2012. Finalista Concurso Literario Internacional Ángel Ganivet, 2017. 
Libros publicados: Búsquedas y encuentros (Caza de libros, Bogotá, 2011), Los oficios en clave de Atenea (Ediciones Embalaje, 2011 y Apidama Ediciones, Bogotá, 2013), Huecos en la luz, (Ediciones Torremozas, España, 2014). Antología Ganadoras Gran Premio Ediciones Embalaje Encuentro de Poetas Colombianas, (Uniediciones, Bogotá, 2018). Con tal de verme volar, Antología personal, (Uniediciones, Bogotá, 2019).  Su obra ha sido publicada en revistas y antologías en español y traducida al inglés, al francés, al portugués y al italiano.